A cidade de Mauá poderá dar um importante passo rumo à
inclusão e ao atendimento humanizado na saúde pública. Está em tramitação na
Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 50/2026, de autoria do vereador Leonardo
Alves, que propõe a criação da Política Municipal de Acolhimento Sensorial e a
implantação de salas de acomodação sensorial — conhecidas como “salas calmas” —
nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e demais equipamentos de saúde do
município.
A proposta tem como objetivo garantir um ambiente mais
adequado para pessoas neurodivergentes, especialmente aquelas com Transtorno do
Espectro Autista (TEA) e transtornos do processamento sensorial, que
frequentemente enfrentam dificuldades em ambientes com excesso de estímulos,
como barulho, iluminação intensa e aglomeração.
De acordo com o texto do projeto, as salas sensoriais serão
espaços planejados para reduzir estímulos auditivos, visuais e táteis,
oferecendo acolhimento em momentos de crise ou sobrecarga sensorial. Entre as
diretrizes previstas estão o controle da iluminação, a atenuação de ruídos, a
disponibilização de recursos terapêuticos — como abafadores de som — e a
capacitação das equipes de atendimento para identificar e acolher pacientes que
necessitem desse suporte.
A implementação das salas será gradual, respeitando a
viabilidade técnica e orçamentária do município. O projeto também prevê a
possibilidade de parcerias com a iniciativa privada e organizações da sociedade
civil para viabilizar a estruturação dos espaços.
Na justificativa, o vereador destaca que a proposta não cria
obrigação imediata de gastos, funcionando como uma diretriz para políticas
públicas de inclusão, alinhada à legislação federal que trata dos direitos das
pessoas com deficiência e do TEA.
Experiências semelhantes em outras cidades paulistas, como
Mogi das Cruzes e Jundiaí, já demonstraram resultados positivos, com redução de
episódios de desregulação sensorial durante o atendimento e melhoria no fluxo
das unidades de saúde.
Segundo o autor, o projeto também atende a demandas
recorrentes de moradores do município, que relatam dificuldades no acesso a um
atendimento adequado para pessoas com sensibilidade sensorial.
Caso aprovado, o Projeto de Lei nº 50/2026 poderá representar
um avanço significativo na humanização dos serviços de saúde em Mauá,
promovendo mais dignidade, acessibilidade e respeito às diferenças.
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